Direitos Humanos e Racismo Institucional em Debate no Instituto Luzia Basílio
- Luiza Basilio Instituto
- 22 de jul.
- 2 min de leitura
No dia 3 de dezembro de 2022, o Instituto Luzia Basílio, localizado no Jabaquara, sediou o nosso último encontro presencial do ano, realizado em grande parceria com o Instituto Auá, de Osasco. O evento trouxe à tona debates profundos e necessários sobre os temas "Direitos Humanos para Quem?" e "Racismo Institucional", conduzidos por duas palestrantes potentes: Regiane Novaes e Simone Eduardo.
Humanos de Direito: Direitos Humanos para Quem? A educadora e doutoranda em filosofia, Regiane Novaes, abriu o encontro provocando uma reflexão central: quando falamos em "humano", em quem estamos pensando?. Ela ressaltou que a base dos direitos humanos é a dignidade, que significa ter a própria humanidade e o respeito garantidos socialmente.
Embora a Declaração Universal dos Direitos Humanos tenha surgido após a destruição da dignidade de vários grupos durante a Segunda Guerra Mundial, Regiane lembrou que, historicamente, o conceito de "humano" sempre teve um rosto específico: o do homem ocidental e branco. Revoluções consideradas marcos democráticos (como a francesa e a estadunidense) e as primeiras constituições do Brasil excluíram mulheres, populações negras e indígenas, negando-lhes a condição de humanos plenos e justificando atrocidades como a escravidão e o genocídio indígena. O questionamento deixado foi claro: precisamos olhar ao redor e perceber quais são os humanos que, de fato, têm seus direitos e sua dignidade assegurados na prática.
O Peso do Racismo Institucional e a Necessidade de Ação A assistente social e professora universitária Simone Eduardo ampliou a conversa falando sobre o impacto do racismo na saúde mental e nas instituições. Ela destacou que a desumanização da população negra começou já na travessia do Navio Negreiro, quando pessoas foram arrancadas de suas famílias, culturas e identidades para serem comercializadas como coisas mercantis.
Ao abordar o racismo institucional, Simone enfatizou que as instituições são compostas por pessoas, e são essas pessoas que perpetuam práticas racistas. Por isso, o discurso de apenas "não ser racista" não é mais suficiente; é exigida uma postura ativamente antirracista. "Ser antirracista requer atitude", alertou a professora, destacando que não podemos apenas observar passivamente violências ou fingir que não vimos situações de discriminação.
Simone também apresentou importantes mecanismos de defesa e enfrentamento coordenados junto à Universidade Zumbi dos Palmares:
Acolhe Black: Uma plataforma online gratuita que oferece suporte psicológico, jurídico e de assistência social (com atendimento em até 24 horas) para vítimas de racismo.
Procon Racial: Um canal direto no site do Procon voltado exclusivamente para denúncias de situações de racismo ocorridas em relações de consumo, como ser seguido em lojas ou abordado injustamente.
Racismo Zero: Uma iniciativa que concede um selo a empresas comprometidas em garantir um ambiente seguro e igualitário para a população negra.
Cultura e Encerramento Além de muito conhecimento, o encontro contou com a presença do artista, jornalista e compositor Cacau, que trouxe música no formato voz e violão, abrilhantando o espaço da nossa biblioteca.
O evento evidenciou que o debate sobre questões raciais não deve ficar restrito ao mês de novembro, mas precisa ser naturalizado em nosso cotidiano de forma contínua. Agradecemos imensamente a todos que participaram presencialmente e online, e a toda a equipe envolvida na realização deste potente projeto

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